Não vou escrever poesia e outros textos

Editoras pela Palestina

“Em meio à devastação da guerra genocida, desde os acampamentos dos deslocados em Gaza, uma criança escreve: ‘Não vão embora, não me deixem sozinha, eu posso ser atingida pelos mísseis e morrer, como vocês’. Com essas palavras simples e verdadeiras, ela reivindica seu direito de não ser abandonada, e lembra, a nós leitores, que, assim como tantas outras pessoas, está vulnerável e indefesa.” 

O que podemos fazer contra os horrores que assolam a população e o território de Gaza?
O que podemos fazer contra a violação sistemática e sem precedentes de todos os direitos internacionais? 
O que podemos fazer diante do extermínio de todo um povo, de um genocídio? 
O que podemos fazer frente à destruição de um patrimônio cultural, histórico, arqueológico, intelectual tão valioso?
Como não se sentir impotente e cúmplice de um massacre que não conseguimos nem sabemos como intervir? 
Como se posicionar de alguma maneira diante do genocídio, unir-se a um movimento maior, mundial, de tomada de consciência e de ação? 
Como pensar a literatura para crianças e jovens em meio à mutilação, ao assassinato, ao abandono de milhares e milhares de crianças em Gaza?

O coletivo

Foi em torno destas indagações urgentes e com a convicção de que o trabalho com a narrativa, a história, a informação, o testemunho, o relato é uma ferramenta possível e poderosa, que dezoito editoras brasileiras — que trabalham com literatura para as infâncias e juventudes — se uniram para traduzir e lançar no Brasil o livro Não vou escrever poesia e outros textos, escrito pelas crianças de Gaza e ilustrado por elas e por outras crianças palestinas, num encontro ainda impossível territorialmente, mas realizado no âmbito da experiência compartilhada.

O livro foi publicado em edição bilíngue, árabe e inglês, em 2025, pelo Instituto Tamer para a Educação Comunitária (Tamer Institute for Community Education), uma organização palestina com sede em Ramallah. A ideia da edição brasileira — também bilíngue, árabe e português — é apresentar o trabalho fundamental do Instituto Tamer e trazer até nós as vozes das crianças de Gaza. 

Toda a receita advinda das vendas deste título será enviada ao Instituto Tamer com a intenção de colaborar com o trabalho que vem realizando há mais de 35 anos em toda a Palestina, inclusive em Gaza, onde hoje existem aproximadamente trezentos educadores trabalhando nos acampamentos das centenas de milhares de pessoas deslocadas. 

Esperamos, com este projeto, sensibilizar as infâncias e juventudes no Brasil para a situação palestina, criando solidariedade, empatia, questionamento e consciência. Para o sucesso deste projeto, é fundamental o trabalho de mediadores e mediadoras de leitura, que serão capazes de levar as vozes da Palestina às crianças e aos jovens em todos os cantos do Brasil e de outros países de língua portuguesa.

As editoras

Barbatana, Bazar do Tempo, Bináh, Boitempo e Boitatá, Casa das Letras, Caixote, Lumiar, Padaria de Livros, Palavras Educação, Peirópolis, Pó de estrelas, Quelônio, Selo Emília, Solisluna, Tabla, Veneta e Oh!, WMF Martins Fontes.

O livro

Não vou escrever poesia e outros textos é o terceiro livro da série “Crianças do Mar e das Laranjas”, que captura as vozes das crianças palestinas e suas experiências com a violência e a guerra — o primeiro volume intitula-se Lembranças das crianças do mar, e foi publicado em 2014, e o segundo é O que aconteceu com o Eid?, publicado em 2022.  

As crianças de Gaza escreveram os textos deste terceiro volume na primeira metade de 2024. O livro foi publicado no início de 2025 como um testemunho vivo do genocídio e traz uma mensagem para o mundo: nem a política e nem o jornalismo são capazes de expressar o que é a guerra.

Numa série de oficinas, as crianças se reuniram com o escritor palestino Hani al-Salmi e com a artista Hana Ahmad para refletir, dialogar e escrever sobre suas perspectivas íntimas e particulares, suas experiências profundas de sofrimento, opressão, fome e cansaço físico e mental. Essas oficinas, organizadas pelo Instituto Tamer para Educação Comunitária, proporcionaram um ambiente acolhedor, nos quais escritores e mediadores incentivaram as crianças a desenvolver a habilidade de se expressar por meio de textos literários. Os textos foram compartilhados com outras crianças na biblioteca de Rummana, em Hebron, e na biblioteca de Al-Hamawi, em Jerusalém. Essas crianças contribuíram com suas interpretações visuais por meio de desenhos e pinturas. As narrativas compartilhadas, que deram origem a este livro, conectaram as crianças palestinas nas suas diferentes localidades.

Neste livro estão as vozes de mais de oitenta crianças palestinas. São elas: 

Textos (crianças de Gaza): Jana al-Athmani, 11 anos; Lama al-Ghandur, 12 anos; Abd al-Rahim Hilles, 13 anos; Ziada Hijjo, 12 anos; Osama Juma, 13 anos; Omar Salmia, 13 anos; Mariam Taruch, 13 anos; Amina Ziad, 12 anos; Sabrin Warda, 16 anos; Nasser Swailim, 14 anos, Rama Daij, 16 anos; Hala al-Najjar, 14 anos; Saja Sallat, 15 anos; Ansam al-Samuni, 16 anos; Lian al-Samri, 12 anos; Malak al-Samri, 14 anos; Chaima al-Harbity, 16 anos; Nida Hilles, 11 anos; Mais Al-Athmana, 12 anos; Sama Hilles, 12 anos; Muhammad Hamadin, 15 anos; Ranim Karch, 16 anos; Muhammad Hilles, 12 anos; Hanan Abu Hachim, 14 anos; Aycha Abu Sila, 16 anos; Haya al-Achi, 16 anos; Nida Hilles, 11 anos; Mais al-Athmana, 12 anos; Sama Hilles, 12 anos; Muhammad Hamadin, 15 anos; Ranim Karch, 16 anos; Muhammad Hilles, 12 anos; Hanan Abu Hachim, 14 anos; Aycha Abu Sila, 16 anos; Haya al-Achi, 16 anos; Hala Hatim Jundiya, 13 anos; Watan Muhammad Fuad al-Said, 10 anos; Abir Rajab Awni al-Qasas, 15 anos; Bara Samur, 13 anos; Abd al-Rahman Islim, 13 anos; Amru Ghabain, 13 anos; Abd al-Rahman al-Zain, 11 anos; Muhammad al-Nimr, 15 anos; Karim Yunis, 13 anos; Ahmad Said al-Zahar, 13 anos; Sara Muhammad Faiz Abu Badran, 12 anos; Thair al-Chawi, 14 anos; Jana Ahad Hassan Chukhsa, 12 anos; Chams Muhammad Jundiya, 13 anos; Rama Samur, 12 anos; Rahab Issam Rachid al-Nimr, 12 anos.

Ilustrações (crianças palestinas de Gaza e de outras localidades, como Jerusalém e Hebron): Mira Ereqat, 14 anos; Nada Achur, 12 anos; Fatima Abu Madi, 14 anos; Ismael Achur, 12 anos; Yahia Abu Turki, 6 anos; Luai Abu Turki, 10 anos; Mariam Abu Turki, 12 anos; Salma Sulaiman, 12 anos; Juna Abu Madi, 10 anos; Abdullah Abu Madi, 11 anos; Balqis Abu Madi, 13 anos; Maiar Abu Turki, 11 anos; Rahaf Abu Turki, 12 anos; Ruba Abu Turki, 13 anos; Urud Abu Turki, 9 anos; Tala Abu Turki, 13 anos; Muhammad Abu Snaina, 8 anos; Reem Abu Turki, 9 anos; Taim Abu Snina, 11 anos; Rital Eid, 11 anos; Jumana Abu Turki, 17 anos; Taim Abu Turki, 12 anos; Yaman Abu Turki, 11 anos; Jud Faraun, 10 anos; Adam Abu Yussef, 12 anos; Fátima Abu Turki, 14 anos; Muhammad Abu Turki, 9 anos; Amru Abu Madi, 10 anos; Jamila Cheikh Yussef, 14 anos; Sirin Abdin, 12 anos; Bara Abu Turki, 10 anos; Tala Abu Snaina, 10 anos; Dania Abu Madi, 10 anos; Sara Eid, 9 anos; Yasmin al-Cheikh Yussef, 9 anos; Amru Abu Turki, 9 anos; Tartil al-Zarir, 12 anos.

Em Gaza, as oficinas de escrita foram ministradas por Hani al-Salmi, Hana Ahmad e Basma al-Hur; e as de ilustração por Sara Abu Madi e Leila Ahmad.

O Instituto Tamer

O Instituto Tamer para a Educação Comunitária é uma organização sem fins lucrativos, com sede em Ramallah, que promove a leitura entre crianças e jovens da Cisjordânia e de Gaza. Foi fundado em 1989, logo após a Primeira Intifada, para oferecer às crianças acesso a livros e a diversas formas de aprendizagem, quando tanto a escolarização como o tempo de lazer eram prejudicados pelo contexto político.

Atualmente, o instituto é um centro de referência em uma rede que oferece oficinas de escrita, contação de histórias e teatro. Todos os anos, o Instituto organiza uma campanha nacional de leitura, oferecendo oficinas para milhares de crianças em campos de refugiados, vilarejos e comunidades. Durante a campanha, realiza-se um concurso de escrita para crianças de 8 a 15 anos; o Instituto Tamer, então, publica os vencedores numa coleção chamada “Meu Primeiro Livro”.

Quando o Instituto Tamer foi fundado, havia poucos livros infantis palestinos. Hoje, a organização possui sua própria editora e já publicou mais de 130 títulos. Esses livros foram distribuídos para bibliotecas e centros culturais em toda a Palestina e publicados em outros países e em outros idiomas. Por meio de todos os seus projetos — das oficinas de escrita e contação de histórias à publicação —, o instituto também abre caminho para uma nova geração de escritores palestinos.

Conheça o Instituto Tamer: www.tamerinstitute.org

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