Em retrospectiva, 2021 foi rico em debates e conexões aqui na Emília. Apesar de todas tristezas de mais um ano pandêmico, foi possível fazer um percurso de esperança. Os encontros continuaram virtuais, é verdade, mas sempre permeados por muito afeto.
A relação entre literatura e direitos humanos foi um de nossos principais temas. A Festa VivaLivro, que realizamos em parceria com a Solisluna Editora, é um exemplo disso. O evento trouxe debates sobre a literatura como espaço de acolhimento e reflexão sobre a diversidade. Todos os vídeos estão disponíveis, para quem quer ver (ou rever), assim como o e-book composto por textos selecionados de alunos de escolas públicas que participaram do Concurso Quem eu sou no mundo.
O lançamento do livro Migrantes, de Issa Watanabe, é outro marco no ano. A obra ilustrada traz a história de uma grande e única migração, uma viagem de incertezas onde a morte e a esperança coexistem. A edição brasileira é resultado da parceria entre o Selo Emília e as editoras Solisluna e Raposa Vermelha.
Conversas sobre a cultura negra e a luta antirracista pautam as ações da Emília e neste ano não foi diferente. A parceria com o coletivo Encresp@s segue trazendo muitas reflexões. Imperdíveis a entrevista feita com o artista Paulo Nazareth, publicada no Caderno Emília 6, e a ocupação em nosso perfil no Instagram durante o mês de novembro, com curadoria especial de conteúdos (se você perdeu, basta acessar o @revistaemilia). Em outra parceria, com a Fio.de.Contas, de Neide Almeida, realizamos o Literatura à flor da pele, que proporcionou dois encontros preciosos: com a poeta Zainne Lima e com o escritor Oswaldo de Camargo.
Em 2021, também abrimos debates sobre a formação leitora de jovens. Em maio, chegou o livro Patos e lobos-marinhos – conversas sobre literatura e juventude, de Sara Bertrand, com ensaios feitos a partir de conversas e encontros, boa parte deles realizados no Brasil. E agora encerramos o ano com A nostalgia do vazio – A leitura como espaço de pertencimento dos adolescentes, de Freddy Gonçalves da Silva, que nos convida a pensar sobre leitura, em especial entre os jovens. Os dois títulos são editados por Selo Emília/Solisluna Editora.
No centenário de Paulo Freire, refletir sobre a educação brasileira foi fundamental. A terceira edição do Seminário Internacional Arte, Palavra e Leitura, uma realização do Itaú Social e o Sesc-SP, com curadoria do Instituto Emília e a Comunidade Educativa CEDAC, trouxe muitas contribuições, todas documentadas no e-book Por uma educação transformadora e nos vídeos das quatro mesas do evento. O Educativo Emília também atuou de forma contínua ao longo do ano com cursos que trataram diversos aspectos desses dois grandes temas: literatura e formação de leitores.
Foi um ano de experiências de leitura compartilhada. Tivermos conversas inspiradoras nos encontros mensais de Estantes Prediletas, o clube de leitura da Emília, e nos papos de nosso grupo de estudos. Ano de conversas além-mar com o seminário Leer Iberoamérica Lee, que nos convidou a refletir: existem leitores à margem? Também foi o ano que concluímos um projeto lindo, um livro feito coletivamente com a comunidade de Parelheiros. Nascidos para ler no melhor lugar para se viver é afeto, força e esperança do início ao fim. Um registro de que outro futuro não é só desejável como também possível.
E o ano fecha com uma mesa em parceria com a rede LEQT e a FEBAB para discutir a questão Literatura em presídios: A quem incomoda?